Lucas, apelidado pelo grupo por pastel é um dos mais divertidos do grupo. “As pessoas me acham meio assim, mas eu sou muito esperto”. Foi uma das primeiras coisas que falou em nossa conversa. É, de fato, impossível passarmos muito tempo conversando com o Lucas sem nos admirarmos com o sua simpatia e expontanidade.
Fala com orgulho que faz arte desde criança. Aos 09 anos de idade imitava o Michael Jackson, Júnior e o cantor Leonardo. Chegou a ser sondado para se apresentar no programa Raul Gil, mas não pode ir por problemas familiares. Na verdade sua mãe e seu pai se separaram nessa época. Seu pai, segundo ele, o raptou para Quixeramobim e sua mãe foi pegá-lo, na época em que ele iria se apresentar no programa, proibindo-o de participar e trazendo-o de volta para Fortaleza, ele mora com ela até hoje.
Suas lembranças de infancia são também as mais expressivas manifestações de sua arte, ele conta que brincava de teatro, imitava palhaços, o Power Ranger. “Eu sempre fui meio gaiato, gostava de fazer sem vergonhisse, os adultos adoravam, daí eu fazia, eu gostava”. Era, também, apaixonado por novelas tendo como preferidas: “Mulheres apaixonadas” e o “Clone”.
Com 12 anos fez muito teatro na escola e na Igreja em que congregava. Perguntei o nome da Igreja e ele falou que tinha alguma coisa haver com células, eu ri e ele censurou-me. "Ninguém brinca com as coisas de Deus". Lembrou depois: “ Igreja Quadrangular do Mover Celular”, ainda acho que é brincadeira dele. “Brincadeira nada, é muito sério e foi lá que eu fiz mais teatro. A gente fazia peças de conscientização para que os irmãos não caíssem na tentação de usar drogas, álcool...”. Na escola apresentava cenas de combate à dengue, DSTs e outros assuntos de saúde pública. “Fiz também uma apresentação musical da música Pai do cantor Fábio Jr. Dessa lembro bem, eu adorei esse dia”, fala como se fosse uma criança relembrando um brinquedo antigo.
Lucas mora no Passaré, bairro bem distante da Barra do Ceará, onde está situado o CUCA Che Guevara, local aonde, ele pratica, duas vezes na semana, natação. “Na verdade o que me trouxe para o CUCA foi a natação. Aí eu via os meninos do teatro ensaiando e ficava olhando, me aproximei deles e a Paula me perguntou se eu queria participar. Como eu sempre fui assim, meio doido, topei na hora”. Diverte-se com sua própria declaração.
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| Lucas no melhor estilo Lucas. |
Ele ainda não fez nenhum curso de interpretação. Perguntei para ele o motivo e ele alegou que por conta da distancia, ele não tem dinheiro para vim todo dia e sua mãe não ver o teatro com bons olhos. “Na verdade minha mãe não fala nada, uma vez ela disse que não ia me dar dinheiro para eu vim fazer teatro, porque teatro não dá nada para ninguém, mas foi só um momento de raiva. Hoje é ela que paga as minhas passagens para eu vim ensaiar.” Lucas interpretará pela segunda vez o personagem Cabeção, na esquete Bobeou, Dançou! Pelo festival de esquetes de Bilu Bila. “Eu percebo que as pessoas não confiavam muito em mim, mas com o Cabeção eu provei que posso ir além e experimentar vários personagens.” Concluiu. O diretor da esquete, Carlos Wagner e os demais integrantes são unânimes em falar do crescimento do Lucas como ator. Segue a diante, garoto!




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